Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

PEC III: A ascenção da bancarrota

Este país está no bom caminho... para bater a economia no fundo. Mais uns meses e chegamos lá, mais depressa que o tgv....

 

Desemprego descontrolado, cortam-se os subsídios, sobem-se os impostos, corta-se nos vencimentos, descem as comparticipações de medicamentos.

 

É preciso cortar! dizem os mercados... Muito bem, então a questão seguinte é o QUÊ cortar e QUANTO? O Governo parece ter uma "ideia": 5% a 10% no salário dos funcionários públicos.

 

Vamos então ver um exemplo de como é que isto fica:

António trabalha na repartição de finanças

Joaquina, como secretária de estado do ministério da agricultura (ambos os casos fictícios obviamente)

 

António recebe 450€ mês e Joaquina 7,000€. Vamos presumir que o corte 5% é para até 1,500€ e daí para a frente 10%. (Logo o corte de António será 22,50€ e o de Joaquina 700€).

 

Coitada da joaquina! Ao contrário de António fica com um Gigantesco corte no ordenado....

Pois, mas no fim António fica com 427,50€ e Joaquina com 6,300€.

 

Afinal, será que a Joaquina tem tantas razões para se queixar?? Antes sem os cortes ganhava + 6,550€ que António. Agora, feitos os cortes passa ainda ganhar + 5,872.5€ de ordenado que António. No total, a disparidade salarial diminui 10,3%.

 

E claro! Temos mais 10% de justiça social com estes cortes. Vejam o lado bom da coisa, podíamos ter só 5%, 2% de justiça social. Mas isso seria dizer que nos contentamos que os restantes 90% sejam de injustiça.

 

Essa foi a opção do governo. Em nome do bem nacional todos os funcionários públicos vêem cortados os seus salários em 5% a 10%....

 

Reparem que a ideia de que todos pagam não está errada. O Governo não mente neste ponto.

Em quanto ao valor que vão ver cortado, pelas regras da proporção, é natural que quem tenha um maior ordenado fique com cortes mais significativos. Nisto também não há problema.

Mas enquanto ao valor final, tenho que objectar. Cortar muito a um salário elevado ou cortar pouco a um salário mínimo nem tem nada a ver.

 

Uma pessoa como a Joaquina fica com 700€ mês a menos mas ainda com um ordenado base de 6,300€. Com 6,300€ por pessoa não me digam que é pouco dinheiro para uma pessoa (para simplificar, considera-se que a Joaquina vive sozinha).

 

Já para o António não sei quanto é que ele vai conseguir ficar ao fim do mês com 427,50€ de ordenado mensal. Vai fazer refeições em casa todos os dias e abdicar de ir almoçar ou jantar fora? Continua a usar roupa velha e não vai comprar uma nova? Usa os sapatos até se desfazerem? Não utiliza o carro? Não vai ao médico ou ao dentista? Não corta o cabelo? Não faz a barba? Não compra livros ou jornais? Não compra peixe, porque é mais caro que a carne de peru ou de porco? Não utiliza o esquentador para aquecer a água? Não liga a luz da casa? Não descarrega o autoclismo? Não lava a loiça? EM QUE é que o António pode poupar disto...

 

Mas, beleza! O António não só repara que passa a ganhar menos como ainda por cima vem o IRS. Portanto nem sequer é com 422€ que ele tem de fazer a ginástica orçamental mas é à volta de 400€!

 

Coitado do António, que Deus lhe ajude pois se a sua vida era já muito difícil agora vai ser o Inferno ardente.

E há muitos "Antónios"na Sociedade portuguesa que vão sofrer o mesmo destino. Milhares deles.

 

Apelo por isso a que todos - especialmente os funcionários públicos que façam greve geral no dia 24 Nov. Por outro lado apelo às centrais sindicais que agendem protestos já na próxima semana e mobilizem todo funcionário que há por este país fora. Finalmente, peço às centrais sindicais que convoquem mais greves gerais durante o mês de Outubro. Não pode haver tréguas: há gente que vive Muito Mal neste país com menos de 400€ mês para gastar. O Governo, numa atitude de constante respeito pelo funcionário público congela as promoções, os aumentos salariais, corta os salários para todos em proporção - mas são os que menos ganham que mais sentem o cortes. Cortar pouco do que já é pouco leva a nada.

 

O pior de tudo é que estes assaltos ao cidadão nem vão chegar para tapar o buraco que é o défice... só umas semanas. Repito. NÃO VAI CHEGAR.

Avizinha-se um PEC III dentro dos próximos tempos e ninguém quer acreditar nisto! Nessa altura, quando o fundo da pt dos 2,500 milhões se esfumar O QUE E É QUE VAI SERVIR?

 

Onde se irá buscar o dinheiro?? À bolsa de um contribuinte na miséria???

Este "orçamento" já coloca todos os portugueses na miséria, sufoca a economia. Com uma vida económica de rastos, não se geram proveitos. Sem proveitos, onde é que o governo vai arranjar dinheiro??

 

EM NENHUM LADO, porque Tudo ficou na miséria. Aí é a bancarrota.

Mas claro! Não se preocupem porque temos um "governo" e uma "oposição" responsável. Daqui a uns meses uma pessoa vai perguntar-se como é que se chegou a tanta irresponsabilidade.... A resposta: porque quem tem que tomar decisões não as toma, prefere ver miséria a reagir contra ela.

 

Passar bem deltas.

publicado por esquadraodelta às 00:30
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4 comentários:
De Carlos Gomes a 5 de Outubro de 2010 às 01:15
Por ironia da História, o Centenário da República está a ser comemorado reproduzindo vários aspectos que levaram precisamente à sua queda em 1926, nomeadamente a crise económica, a instabilidade política, a corrupção, etc. Em escassos 36 anos, a III República levou o país à beira da falência económica por duas vezes consecutivas. Não lhe auguro um futuro muito promissor!


De esquadraodelta a 5 de Outubro de 2010 às 01:28
Pelo vistos sei que o amigo estudou história de portugal. Valha-me deus, já sei que não estou sozinho em saber quais formam as causas da crise da 1ª república (hoje poucos são os que sabem história... sobretudo entre os mais jovens)

Mas de qualquer modo, tenho a ideia que a carga simbólica da 1ª República não passa de um meio para distrair atenções para os reais problemas que se avizinham.

Não me estou a referir ao sr. que no centenário até revê que os mesmos aspectos de grave crise económica e social persistem, mas a estes políticos que com o centenário querem fazer esquecer o povo com "discursos históricos" para Fugir ao presente e às responsabilidades.

Procurei retratar o presente, tendo em conta a perspectiva económica e fiscal e consequências sociais


De Lynce a 5 de Outubro de 2010 às 03:28
Razão tinha a Ferreira Leite quando à dois anos prognosticou toda esta catastrofe, mas não lhe demos ouvidos...enfim.


De Carlos Gomes a 5 de Outubro de 2010 às 13:24
A questão é mais profunda. De resto, fazer prognósticos é fácil pois a alienação esporádica de património do Estado não resolve o problema, como aliás se viu.
Trata-se de uma questão de estratégia nacional. Não foi por simples acaso que, logo desde os alvores da nacionalidade, Portugal optou por criar uma marinha mercante, plantar florestas ao longo de toda a faixa costeira do território também para fomentar a construção naval, forçar ao estabelecimento de póvoas de pescadores em todo o litoral. Como dizia D. João II, haveria que contê-los em terra e batê-los no mar!
O centro de actividade comercial e civilizacional transferiu-se do Mediterrâneo para o Atlântico e, às antigas civilizações mediterrânicas (Egipto, Babilónia, Grécia, Roma, etc.) sucedeu um novo Império e uma nova civilização a partir de Portugal. Os demais países europeus vieram atrás.
Ao aderir a um projecto que trazia em si os germes de um federalismo a nível europeu, a III República inverteu a estratégia nacional. Afinal de contas, para além do eucalipto e da pasta de papel, que poderá Portugal produzir para partilhar comercialmente com os demais países europeus? Para que queremos uma tão grande extensão marítima se optaram por destruir a marinha mercante e a frota de pesca? A ZEE portuguesa é comunitária mas a dívida externa não... teremos, mais tarde ou mais cêdo, que ir mendigar ao FMI, pela segunda vez ao longo do actual regime!
Ora, se nada temos para trocar apenas poderemos comprar. E, consequentemente, importamos quase tudo só nos poderemos endividar!
Mas existe esperança e ela reside onde sempre esteva - na comunidade de países lusófonos. O Império está de regresso. A grandeza de Portugal revê-se actualmente no Brasi. E também em Angola e nos demais países da lusofonia. O Brasil e Angola vão ser - já são! - grandes potências mundiais. Não é em vão porque muitos países querem aderir subitamente à CPLP. Da mesma forma que a recente vinda de Lula da Silva a Portugal, precisamente quando o Primeiro-ministro hesitava na declaração de falência económica, uma das tais semanas críticas, não foi uma mera visita de cortesia...


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